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Categoria: Recomendados

Saindo da Zona #1

Saindo da Zona #1

Nem só de fantasia e ficção científica vive uma mulher. Para escrever bem, é interessante não ficar só na mesma coisa e buscar ler e escrever além do seu(s) gênero(s) e estilos de preferência; ou seja, ir além da zona de conforto. Por isso, decidi inaugurar uma série de posts falando das minhas leituras preferidas que não se encaixam muito bem no escopo do Usina.

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O Conto da Aia – Distopia Teocrática

O Conto da Aia – Distopia Teocrática

Como a maioria das pessoas, soube da existência d’O Conto da Aia, escrito por Margaret Atwood, depois do lançamento da série The Handmaid’s Tale . A Rocco lançou uma edição nova dessa obra esse ano, o livro chegou anteontem aqui em casa, eu já terminei e estou aqui escrevendo sobre ele.

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Os Despossuídos – Capitalismo, Idealismo e Anarquia

Os Despossuídos – Capitalismo, Idealismo e Anarquia

A Editora Aleph lançou mais cedo esse ano uma nova edição em português de Os Despossuídos, escrito por Ursula K. Le Guin. A Mão Esquerda da Escuridão é um dos meus livros favoritos, e, embora O Feiticeiro de Terramar não tenha atiçado meu interesse, tenho altas expectativas para a ficção científica de Ursula. Não fui decepcionada.

O livro fala, em sua essência, das diferenças ideológicas entre Anarres, terra natal do protagonista, e Urras, uma sociedade altamente capitalista de onde fugiram os primeiros colonizadores de Anarres, para fundar uma utopia anarquista em uma lua inóspita.

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A Rainha do Ignoto – Ficção Sobre Mulheres

A Rainha do Ignoto – Ficção Sobre Mulheres

Quem acompanha o site já deve saber que esta que vos fala desafiou a si mesma a ler mais obras nacionais, especialmente as escritas por autoras. Dentre todas as que li até o momento, não vou negar que esta é a mais querida.

A Rainha do Ignoto é um romance fantástico, publicado primeiramente em 1899 e escrito por Emília Freitas, uma professora nascida em Aracati, no Ceará. A cópia física que adquiri foi impressa em 2003, pela Editora Mulheres da EDUNISC (Editora da Universidade de Santa Cruz do Sul), que é a terceira edição. Para quem perdeu o memorando: o livro é considerado pioneiro no gênero fantástico no Brasil.

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As Águas-Vivas Não Sabem de Si – Explorando Pontos de Vista

As Águas-Vivas Não Sabem de Si – Explorando Pontos de Vista

As Águas-Vivas Não Sabem de Si é um romance escrito por Aline Valek, e publicado pela Fantástica Rocco, em 2016. A história gira ao redor de Corina, uma mergulhadora profissional acometida por uma doença incurável, que embarca em uma missão numa estação de pesquisa no fundo do mar.

Com um quê de fantasia, outro tanto de ficção científica e uma pitada de surrealismo, o romance nos guia, na verdade, por várias histórias. De Corina e do pesquisador Dr. Martin, das baleias, espectros, azúlis e águas-vivas, das águas do oceano, de tempos passados há eras e do tempo presente, tudo isso amarrado em um enredo coerente e intrigante.

Como dá para notar pela descrição acima, Aline Valek se aventura e é bem-sucedida ao escrever em pontos de vista no mínimo pouco ortodoxos. Poucos escritores escrevem sobre o que pensam as águas do oceano ou um ser ancestral à beira da extinção.

Toda obra, porém, tem o seu ponto fraco, e é essa mesma abundância em pontos de vista que fazem a narrativa sair em tangentes expositivas, mostrando o talento e a criatividade da autora, mas sem adicionar nada de concreto ao enredo ou à construção das personagens. Por mais bem escrito que o livro seja, essas tangentes tornaram a minha leitura mais difícil, pois não consegui perceber um foco claro, nem mesmo em retrocesso. Tive a sensação que estava indo a lugar nenhum, e não de uma boa maneira, o que inclusive estaria de acordo com o enredo.

A estrela do romance é descobrir sobre o que é a pesquisa misteriosa do Dr. Martin, e se ele será, enfim, bem-sucedido em encontrar o que tanto procura, se suas teorias têm algum fundamento. Vamos descobrindo isso aos pouquinhos, em doses homeopáticas, enquanto o drama das relações humanas em um espaço enclausurado se desenrola.

Vemos em As Águas-Vivas Não Sabem de Si uma obra baseada em extensiva pesquisa, cuidado e criatividade, uma narrativa pesada e existencial, digna de uma atenciosa leitura.

Fifth Season – Há Coisas Novas Sob o Sol

Fifth Season – Há Coisas Novas Sob o Sol

Quando se trata de escrita criativa, qualquer escritor um pouco mais lido na parte teórica dessa arte deve ter se deparado com a famigerada Jornada do Herói. Essa jornada é tão comum e claramente delimitada aos meus gêneros prediletos – fantasia e ficção científica, para quem ainda não leu o memorando – que por vezes eu me vejo frustrada, pensando ser impossível escapar desse tipo de narrativa.

Fifth Season, da N. K. Jemisin, publicado em 2015 pela Editora Orbit Books, disponível em livro físico e digital em inglês para venda no Brasil, me mostrou que, sim, há coisas novas sob o sol, tanto em questão de worldbuilding, quanto de narrativa e construção de personagem.

Algumas questões não respondidas na parte de worldbuilding deixam em aberto se Fifth Season é fantasia ou ficção científica, no fim das contas; e não ter as respostas não importou, pois aquelas questões eram irrelevantes para a narrativa e também impossíveis de serem respondidas da maneira como a história foi construída.

Na obra, existem cinco estações principais: verão, outono, inverno, primavera e morte. A quinta estação se refere aos regulares cataclismos geológicos que levam a humanidade ao limite da extinção. Sanze, um império gigante, conseguiu sobreviver a muitas dessas estações graças às ruínas das civilizações extintas e estratégias passadas de geração em geração.

É numa Quinta Estação de proporções maiores que as anteriores dentro desse império, que acompanhamos três personagens orogenes. Orogenes são pessoas capazes de manipular elementos geológicos – a um preço. Seus poderes são difíceis de controlar e precisam de uma absorção de energia que pode ser fatal. Por isso, são controlados desde o nascimento e vistos com desdém e ódio pela população de Sanze.

Damaya é uma jovem orogene (rogga, como perjorativo) que é levada de sua casa para o Fulcrum, onde os orogenes são treinados e controlados. Temos também Syonite, uma orogene adulta que é incumbida de uma missão desagradável em nome do Fulcrum, e por último, Essun, uma rogga mais madura que conseguiu se manter incógnita em uma comunidade – até que não conseguiu mais.

E assim a história segue, alternando entre os três pontos de vista, mostrando ao leitor uma visão ampla, porém compreensivelmente incompleta de Sanze e do Fulcrum. Um elemento é comum entre elas: a desumanização dos orogenes. Fifth Season é um romance que trata do que é ser desumano aos olhos dos outros, tudo isso inserido em um universo único, contado em uma narrativa construída de maneira a pegar até os leitores mais experientes de surpresa.

Livros que Inspiram – A Mão Esquerda da Escuridão

Livros que Inspiram – A Mão Esquerda da Escuridão

De maneira geral, eu prefiro muito mais ler histórias cheias de ação, tiros e espadas laser, mas um dos livros de ficção científica que mais gostei tem muito pouco disso. A Mão Esquerda da Escuridão, escrito pela Ursula K. Le Guin, foi publicado em terras brazucas pela Editora Aleph, em 2014.

Nele, acompanhamos Genly Ai, um humano que viajou à Gethen, buscando a união do povo nativo com a coalizão intergaláctica da humanidade. As pessoas de Gethen são completamente alheias aos conceitos considerados muito importantes entre as civilizações humanas, pois não possuem gênero, e podem ser tanto “homens” ou “mulheres” durante suas vidas. Estão sujeitas também a um ciclo hormonal que se assemelha ao cio observado em alguns animais.

Essa obra pouco parte para a pancadaria. O enredo se volta muito mais para Genly e para as suas percepções desse povo tão incomum, para as falhas da própria humanidade e para as suas próprias, ao tentar entender e se comunicar com eles. A Mão Esquerda da Escuridão é uma história psicológica, pessoal.

O que me chamou mais a atenção foi a maneira de lidar com questões de gênero. Não existem muitas histórias de ficção científica por aí que lidem com pessoas sem gênero com a coerência de Ursula (*cof cof* Mass Effect e as Asari *cof cof*). Para além disso, o foco da história são os conflitos dentro de Genly Ai, ao ter que se confrontar com os seus preconceitos. Com isso, o leitor também se depara com os seus próprios preconceitos durante a narrativa.

Falando ainda de coerência, a maneira como a sociedade de Gethen se adaptou ao período de kemmer (a época mensal de fertilidade sexual), e também ao clima tão gelado que chega a ser austero, é um exemplo muito bom de worldbuilding feito de maneira original e bem pensada. 

Para os que ainda escrevem e leem muito dentro dos limites da ação e do épico, A Mão Esquerda é um bom livro para sair da zona de conforto e ver que ficção científica não é só guerra no espaço com lasers. Eu inclusive. 

Nota da Autora: Esse é um post curtinho, porque o livro é curto, e tem um ritmo lento. É também um prelúdio para um conto que eu devo postar em breve, sobre um universo que só saiu da fase de planejamento por causa desse livro.

Nota da Autora 2: OKAY, OBRIGADA MOACIR POR TER INDICADO O LIVRO.

Binti e As Novas Fronteiras da Ficção Científica

Binti e As Novas Fronteiras da Ficção Científica

No finalzinho do mês passado, em minha quest atrás de livros mais diversos para ler, esbarrei em Binti, de Nnedi Okorafor, novela de ficção científica publicada pela Tor em setembro de 2015. Não foi traduzida para o português, mas a edição original (inglês, formato e-book) pode ser obtida na Amazon.

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Livros que Inspiram: Welcome to Night Vale

Livros que Inspiram: Welcome to Night Vale

Welcome to Night Vale, na verdade, iniciou-se como um podcast fantástico sobre a cidade de Night Vale, e o livro homônimo, da Editora Intrínseca, publicado em junho de 2016,  nos conta a história de Diane Crayton e Jackie Ferrero, duas personagens opostas que acabam juntas em uma busca por respostas.

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