Saindo da Zona #2 – Filmes LGBT

Para quem é novo por aqui, Saindo da Zona é uma série de posts com recomendações de conteúdo que não faz parte do escopo do site, mas que eu gostei e quero indicar mesmo assim. Enquanto o primeiro Saindo da Zona falava de livros focado em temas relacionados à existência enquanto mulher, o tema especial desse segundo Saindo da Zona são filmes com personagens LGBT.

A Criada

Não tenho palavras

A Criada é um filme sul-coreano de 2016 (sim, de fato, eu cheguei tarde no bonde), e é um thriller psicológico sobre dois impostores tentando roubar a fortuna de uma rica e ingênua herdeira. Essa herdeira, no entanto, não é tão ingênua assim…

O enredo extremamente tortuoso, cheio de plot twists, é cativante, os personagens são carismáticos e o ambiente onde a maioria do filme se passa, a propriedade de um colecionador de livros, tio e noivo da herdeira em questão, é belíssimo.

Sendo de época, é muito bom assistir um filme com personagens mulheres que curtem mulheres que não envolve sofrimento eterno nem morte para ambas as partes, um tema recorrente na ficção envolvendo relações entre duas mulheres, assim como não há diminuição nem infantilização dessa relação.

Para quem gosta de thrillers de prender o fôlego, personagens mulheres com suas histórias próprias (e personagens mulheres que se pegam rs) esse é um excelente filme.

Amor, Simon

Enquanto A Criada é de época, Amor, Simon é um filme extremamente contemporâneo. O enredo gira ao redor do processo de aceitação de Simon, o protagonista, em relação à sua orientação sexual. Ele é gay, e, no começo do filme, está tão fundo dentro do armário que por pouco não chega a Nárnia.

Um dos meus personagens favoritos do filme é o Ethan, um adolescente gay que não se adequa ao padrões de gênero

O filme fez um trabalho excelente em capturar os sentimentos de confusão e inadequação a tentar buscar as primeiras experiências quando se é atraído por pessoas do mesmo gênero, e também em sublinhar o fato de que sair do armário pode ser um processo doloroso mesmo para quem tem uma família compreensiva e bons amigos.

Agora, o ponto forte desse filme é realmente ser apenas uma comédia romântica com um final feliz. Personagens atraídos por pessoas do seu mesmo gênero tendo finais trágicos é um cavalo morto da mídia, mas que continua sendo espancado. De fato, na vida real, existem muitos finais trágicos: existem muito finais felizes também, e é importante que jovens na situação de Simon vejam que é possível, sim, se assumir e ser feliz.

Outra coisa que me impressionou foi o fato de dois dos três personagens gays desse filme não serem brancos. Às vezes, é como se um personagem pudesse ser só uma coisa “diferente” de cada vez, e é muito difícil ver sua realidade enquanto pessoa negra e pessoa LGBT sendo representada na mídia.

O único ponto fraco desse filme para mim é que o enredo funcionaria melhor se a história se passasse em 2010, por exemplo. Trocas anônimas de e-mails quando o protagonista poderia muito bem ter instalado o Tinder ou o Grindr não fez muito sentido, mas, tudo bem, era uma comédia romântica, e comédia romântica é uma espécie especial de ficção científica, como sabemos.

Ah, e ambos os filmes foram baseados em livros!

A Criada foi baseada no romance “The Fingersmith”, escrito por Sarah Waters, e Amor, Simon é a adaptação cinematográfica do romance “Simon vs. A Agenda Homo Sapiens“, escrito por Becky Albertalli.

Fonte das imagens:

Imagem do Ethan

Imagem do filme A Criada

 

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